A RAQUETE NÃO ENVELHECE
Por que o tênis pode ser um dos maiores aliados para viver mais e melhor
Viver mais deixou de ser uma exceção. O grande desafio contemporâneo é como envelhecer com autonomia, clareza mental e vínculos sociais ativos. Nesse cenário, a prática regular de atividade física é um dos pilares fundamentais — e o tênis surge como um caso particular: um esporte que combina movimento, cognição e convivência de forma rara.
Diferentemente de exercícios solitários ou altamente repetitivos, o tênis exige presença plena. Cada ponto envolve deslocamento, leitura do jogo, tomada de decisão e interação com o outro. E essa combinação tem impacto direto na forma como o corpo e a mente envelhecem.
O tênis e a longevidade: dados que chamam atenção
Pesquisas publicadas no British Journal of Sports Medicine indicam que a prática de esportes de raquete está associada a menores riscos de mortalidade ao longo do tempo. Ao acompanhar mais de 80 mil adultos por cerca de nove anos, a análise mostrou que pessoas que praticavam modalidades como tênis, badminton ou squash apresentaram um risco significativamente menor de morte por todas as causas quando comparadas àquelas que não praticavam essas atividades.
Praticantes de esportes de raquete apresentaram um risco 47% menor de morte por todas as causas em comparação com pessoas fisicamente inativas.
Esse resultado reforça o tênis como uma prática que vai além do condicionamento físico, combinando movimento, engajamento e regularidade — fatores centrais para um envelhecimento mais ativo e sustentável.
Movimento funcional: corpo ativo ao longo dos anos
O tênis se diferencia por trabalhar o corpo de forma integrada. Deslocamentos curtos, mudanças de direção, ajustes posturais e coordenação entre membros superiores e inferiores fazem parte da dinâmica do jogo. A prática regular do tênis está associada à melhora da aptidão aeróbica, ao fortalecimento ósseo e à redução de fatores de risco para doenças crônicas, além de contribuir para a manutenção da mobilidade e do equilíbrio — aspectos fundamentais para a autonomia à medida que a idade avança.
Esses ganhos são especialmente relevantes a partir dos 60 anos, fase em que a perda de massa muscular e o risco de quedas passam a ter impacto direto sobre a independência funcional e a qualidade de vida.
O jogo que também acontece no cérebro
Além do esforço físico, o tênis exige atenção constante, antecipação de movimentos e tomada de decisões rápidas. Esse engajamento mental contínuo diferencia a modalidade de atividades puramente mecânicas. Estudos sobre envelhecimento saudável indicam que práticas que combinam desafio físico e cognitivo contribuem para o fortalecimento da chamada reserva cognitiva, conceito associado à maior resiliência do cérebro frente aos processos naturais do envelhecimento.
Manter o cérebro ativo por meio de estímulos variados é um dos fatores associados à preservação de funções como memória, foco e tempo de reação ao longo dos anos.
Conexão social: um fator decisivo para envelhecer bem

Se o movimento preserva o corpo e o desafio mantém a mente ativa, é a convivência que sustenta o bem-estar emocional ao longo do tempo. Envelhecer bem passa, cada vez mais, pela capacidade de manter vínculos, rotinas e espaços de troca — algo que tende a se perder quando a vida desacelera.
Nesse sentido, o tênis ocupa um lugar especial. Por natureza, é um esporte que acontece entre pessoas: cria encontros regulares, estabelece compromissos e transforma a quadra em um ponto de convivência. Mais do que exercício, o jogo vira pretexto para estar junto, conversar, rir e pertencer a um grupo. E essa sensação de comunidade faz toda a diferença quando o objetivo não é apenas viver mais, mas viver com qualidade.
Um esporte que atravessa gerações
Outro aspecto que ajuda a explicar a presença do tênis em estudos sobre envelhecimento saudável é sua capacidade de adaptação. Ritmo, intensidade e formato do jogo podem ser ajustados conforme a idade, o condicionamento físico e os objetivos individuais. Essa flexibilidade permite que o esporte acompanhe diferentes fases da vida, mantendo-se relevante ao longo do tempo.
Em jogo, aos 70+
Para além dos dados e estudos, é na prática que o tênis mostra sua força. Histórias de quem segue em jogo aos 70+ revelam como o esporte pode acompanhar uma vida inteira.
IDA LOUZA VIEIRA, 80 ANOS

Esportista desde jovem, Ida sempre teve o movimento como parte essencial da sua vida. Passou pelo vôlei, pela ginástica e pela praia, até que, aos 40 anos, ganhou do marido um kit completo de tênis — um presente que marcou o início de uma nova fase. Com disciplina e determinação, entrou em rankings, disputou torneios entre clubes e segue jogando até hoje com excelente desempenho, inclusive em competições por equipe, muitas vezes enfrentando jogadoras mais jovens e ganhando.
Frequentadora do Clube Naval Piraquê e, desde 2022, do Jockey Club Brasileiro, sendo acolhida com carinho pelas tenistas, Ida associa o tênis a mobilidade, saúde mental e intensa vida social. Além das partidas, mantém caminhadas diárias, pilates e musculação.
“Me sinto muito bem com meu corpo e minha saúde mental, pois o tênis nos leva a ter mobilidade, pensamentos positivos e uma socialização enorme que é um fator fundamental. Hoje pratico caminhadas diárias, pilates, musculação e tênis, pois o corpo não pode parar, senão enferruja.”
Viver mais deixou de ser uma exceção. O grande desafio contemporâneo é como envelhecer com autonomia, clareza mental e vínculos sociais ativos. Nesse cenário, a prática regular de atividade física é um dos pilares fundamentais — e o tênis surge como um caso particular: um esporte que combina movimento, cognição e convivência de forma rara.
Diferentemente de exercícios solitários ou altamente repetitivos, o tênis exige presença plena. Cada ponto envolve deslocamento, leitura do jogo, tomada de decisão e interação com o outro. E essa combinação tem impacto direto na forma como o corpo e a mente envelhecem.
ANTÔNIO TINOCO, 78 ANOS

Atleta desde sempre, Antônio trocou o futebol pelo tênis aos 30 anos e nunca mais saiu da quadra. O esporte se tornou parte essencial da sua vida e de seus filhos e ajudou na construção de amizades duradouras — especialmente entre os veteranos do Jockey, grupo que joga junto há décadas. Para ele, o tênis vai muito além da competição: é convivência, troca e continuidade.
Antônio conta que raramente fica sem jogar, mas quando isso acontece, sente rapidamente os efeitos no corpo e na disposição. Manter-se ativo é o que o motiva: preparo físico em dia, mente desperta e prazer em compartilhar o pós-jogo, sempre acompanhado de boas conversas.
“Continuar jogando me ajuda a manter uma qualidade de vida saudável, o preparo físico fica sempre no ponto. Também o companheirismo e as conversas depois do jogo, sempre com um bom vinho, é um fator de grande motivação.”