Como o Rio Open Multiplicou Seu Impacto Social ao Longo de 12 Anos
COMO O RIO OPEN MULTIPLICOU SEU IMPACTO SOCIAL AO LONGO DE 12 ANOS
Com iniciativas que unem esporte, educação e cidadania, o maior torneio de tênis da América do Sul segue ampliando seu impacto social. Uma trajetória construída ao longo de mais de uma década, impulsionada pela Lei de Incentivo ao Esporte e marcada por histórias reais de transformação.
Inclusão pelo Esporte – Primeiro contato, Kids Day

Desde sua primeira edição, o Rio Open entendeu que um torneio não precisa existir apenas dentro das quadras. Em 2014, quando as primeiras crianças pisaram no saibro do Jockey para participar do Kids Day, estava sendo plantada a semente de tudo o que viria depois. Para muitas delas, aquele foi o primeiro contato com o tênis, com ídolos, com a atmosfera profissional. A experiência, que começou com cerca de 200 participantes, rapidamente deixou de ser uma ação pontual para se tornar um compromisso permanente com a formação de jovens e com a democratização do esporte.
Abertura para Projetos Sociais – Escolas, comunidades, boleiros

Nos anos seguintes, esse movimento inicial se expandiu. O torneio começou a abrir suas portas para projetos sociais, escolas públicas e comunidades, criando um fluxo constante de crianças e adolescentes que passaram a circular pelo Jockey — não como espectadores distantes, mas como participantes, aprendizes e, em muitos casos, protagonistas. Clínicas com nomes históricos, visitas guiadas, atividades educativas e o apoio formal a projetos como Tênis na Lagoa, Instituto Futuro Bom e Escolinha Fabiano de Paula passaram a integrar o calendário do evento. Os jovens começaram a trabalhar como boleiros, receberam uniformes, materiais, ingressos, bolas do torneio, e viveram experiências que aproximaram o esporte de suas rotinas.
Torneio Winners & Intercâmbios
A ampliação desse impacto aconteceu de forma orgânica. À medida que novas parcerias surgiam, também cresciam as oportunidades. O Rio Open passou a apoiar leilões beneficentes para instituições como a BrazilFoundation e o Instituto Guga Kuerten, ajudando a fortalecer iniciativas que transformam milhares de vidas. Nesse período, também nasceu uma das ações mais simbólicas do torneio: o Torneio Winners, que começou premiando jovens com semanas de treinamento na IMG Academy, nos Estados Unidos — algo inimaginável para muitos deles até então. A cada edição, o Winners cresceu, tornou-se vitrine, festival, ponte para intercâmbios e motor de histórias reais de ascensão.
Rio Open Ace, Formação & Profissionalização

A atuação social do Rio Open ganhou robustez quando todas essas iniciativas passaram a ser reunidas sob uma plataforma unificada: o Rio Open ACE. Com isso, surgiram novos eixos de desenvolvimento, como capacitação profissional, cursos de arbitragem, Play & Stay, formação de professores, especializações técnicas e, mais adiante, até um curso de encordoamento reconhecido internacionalmente. A ideia inicial — aproximar crianças do esporte — evoluiu para algo maior: formar cidadãos e criar oportunidades de carreira dentro da cadeia do tênis.
NERO — Educação & Cidadania

O passo seguinte foi estrutural. Em 2018, nasceu o Núcleo Esportivo Rio Open (NERO), oferecendo aulas gratuitas de tênis, acompanhamento pedagógico, alimentação e material completo para alunos de escolas públicas. O projeto cresceu, mudou de instalações, chegou a atender nove escolas da Zona Oeste, consolidou-se como um dos pilares do legado do torneio e, em 2025, ganhou uma nova unidade em Campo Grande, ampliando o impacto para dezenas de famílias em uma das regiões mais populosas da cidade.
Comunidade, Diversidade & Infraestrutura
À medida que as frentes sociais se fortaleciam, o Rio Open também ampliou seu olhar para inclusão, diversidade e cidadania. Pessoas com deficiência passaram a participar de clínicas especiais, palestras e formações foram oferecidas para as equipes, e o torneio abraçou temas que ultrapassam a prática esportiva. Em paralelo, ações de infraestrutura — como a reforma da quadra da Rocinha em 2024 — passaram a materializar o compromisso do evento com a cidade e com os projetos que nela atuam diariamente.
Compromisso permanente com o futuro
Hoje, ao celebrar doze anos de atuação social contínua, o torneio não apresenta números isolados: apresenta um caminho. Um caminho construído em rede, junto de projetos parceiros, professores, comunidades, atletas, patrocinadores e uma imensa dedicação de equipes que acreditam no esporte como ferramenta de inclusão. O Rio Open cresceu, as iniciativas se multiplicaram, e o resultado é um legado vivo: quadras reformadas, jovens capacitados, famílias atendidas, professores formados, crianças inspiradas e oportunidades que seguem se renovando a cada temporada.
É essa continuidade que conta a verdadeira história. Uma história de impacto, de evolução e, sobretudo, de compromisso permanente com o futuro.
Vidas Transformadas

A trajetória culmina em um cenário emocionante: Jovens trabalhando como boleiros, treinando em centros de alto rendimento, participando de intercâmbios, recebendo bolsas de estudo, estudando no exterior e voltando ao Brasil como inspiração para os próximos. Histórias como a de Valter de Albuquerque, o Valtinho, que saiu da Escolinha Fabiano de Paula, na Rocinha, para conquistar uma bolsa universitária nos Estados Unidos, ou a Antônio Vitor Monteiro, o Vitinho, do Tênis na Lagoa, primeiro a atravessar essa ponte, mostram que o tênis pode mesmo transformar destinos — e que o Rio Open tem sido um agente ativo nessa mudança.
VALTER DE ALBUQUERQUE
Quando o tênis abre fronteiras

Nascido e criado na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, Valter de Albuquerque, o Valtinho, começou a jogar tênis com apenas seis anos. Incentivado pelos seus pais a participar do Projeto Social Escolinha Fabiano de Paula, encontrou no tênis não apenas um esporte, mas uma ponte para uma nova vida. O Rio Open entrou cedo na sua trajetória: primeiro pela televisão, vendo Nadal levantar o troféu em 2014; depois, como convidado dos projetos sociais; e, a partir de 2017, como parte ativa do Torneio Winners — vencendo quatro vezes: 2018, 2020, 2021 e 2022, aprendeu e abriu horizontes. O torneio também foi sua porta para experiências transformadoras: treinos na IMG Academy, viagens para centros de alto rendimento, participação em clínicas e até dias como sparring de grandes nomes do tênis mundial, como Facundo Bagnis (ARG), Hugo Dellien (BOL), Hugo Gaston (FRA), Daniel Galan (COL) e Cameron Norrie (GBR).
Hoje, prestes a embarcar para a Pfeiffer University, na Carolina do Norte, com bolsa universitária e vaga no time da universidade, Valtinho leva consigo tudo o que viveu nesses 12 anos de conexão com o Rio Open — um vínculo que ajudou a transformar talento em oportunidade, sonho em caminho.
“Meu primeiro contato com o Rio Open foi em 2014, vendo pela TV o Nadal. Mesmo de casa já era muito legal saber que um torneio daquele tamanho estava acontecendo tão perto da minha casa. Em 2016 eu fui presencialmente pela primeira vez e aquilo me marcou demais: ver a velocidade da bola dos melhores do mundo, participar de uma clínica antes do torneio… eu nunca tinha visto nada parecido e fiquei muito empolgado. Depois disso joguei praticamente todas as edições do Winners; perdi, ganhei, chorei, amadureci — mas esse torneio abriu muitas portas pra mim. Graças a ele eu viajei, conheci lugares, joguei a Copa Guga, vivi experiências que me ajudaram muito. Como sparring, pude sentir como é a rotina de um jogador profissional: o tratamento que a gente recebe é igual ao deles, e você conversa com os atletas nos treinos, nos bastidores… até jogar videogame com jogador eu já joguei. As conversas com jogadores universitários foram essenciais para eu acreditar que estudar fora era possível. O Rio Open teve uma parcela enorme na minha decisão e na bolsa que conquistei. Hoje é muito especial realizar esse sonho meu e dos meus pais. Às vezes penso que, se eu não tivesse vivido tudo isso no torneio, muita coisa nunca teria acontecido.”
ANTONIO VITOR MONTEIRO
Talento lapidado às margens da Lagoa

Aos 17 anos, Antonio Vitor Monteiro, o Vitinho, é um dos grandes orgulhos do Projeto Tênis na Lagoa e um exemplo de como o esporte pode transformar caminhos — especialmente quando encontra oportunidades como as oferecidas pelo Rio Open. Ele começou aos sete anos, depois de passar inúmeras vezes de bicicleta com a mãe diante das quadras da Lagoa, até criar coragem para experimentar uma aula que mudaria sua vida. Vieram os treinos, os torneios, viagens internacionais — como a temporada na Espanha com Pepe Imaz, técnico que já trabalhou com Djokovic — e um crescimento que foi muito além da técnica: Vitinho aprendeu a lidar com lesões, a equilibrar estudos e competição e a enxergar o esporte como ferramenta de responsabilidade e convivência. Suas conquistas refletem essa maturidade, incluindo o primeiro título Cosat do projeto, vencido na Bolívia em 2023. Em 2024 foi campeão do Torneio Winners, onde pode vivenciar a experiência de competir em ambiente profissional, ganhar visibilidade e conviver com atletas do circuito, o que ampliou seu horizonte e solidificou o sonho de estudar e jogar fora do Brasil.
Hoje, já com bolsa universitária nos EUA, Vitinho representa o impacto real que o Rio Open pretende gerar — jovens de projetos sociais encontrando, no tênis de alto rendimento, um futuro possível.
“Minha primeira experiência no Rio Open foi inesquecível. Participei como boleiro e foi, sem dúvida, uma das melhores experiências que já tive em mais de dez anos jogando tênis. Estar tão perto dos atletas, sentir a energia do torneio e viver aquilo de dentro marcou muito a minha trajetória. Depois, vencer o Torneio Winners representando o Projeto Tênis na Lagoa significou muito para mim, como uma forma de retribuir tudo o que recebi e agradecer ao Alexandre por acreditar em mim desde o começo. Mas, mais que tudo, o Rio Open me ajudou a perceber que, com muito esforço e resiliência, é possível chegar a lugares que antes pareciam distantes, me fez sonhar mais alto e acreditar ainda mais no meu potencial. E foi esse universo que me fez pensar no futuro: eu decidi que queria estudar nos Estados Unidos aos 17 anos — embora desde os 16 já pensasse em estudar fora — e o tênis teve total influência nisso. As oportunidades de treinar e jogar fora do Brasil me deram mais experiência dentro de quadra e também me ajudaram a melhorar meu inglês, convivendo e conversando com pessoas de outros países. Hoje, meu maior objetivo é concluir meus estudos e continuar jogando tênis, buscando evoluir dentro e fora das quadras.”